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SURF NÃO SE ENSINA

19 out

arte de @JayAlders

“E o surf? Faz tempo que vc não cai hein?” – essa é a primeira frase que alguns amigos meus ouvem quando me encontram. Puta cara sem assunto! Só sabe falar disso?

Tô cansado de ser o cara chato que tenta converter todo mundo pra minha “religião”. Namorada, família, e principalmente qualquer amigo q mostre um mínimo de interesse nessa vida mais perto do mar. E quando o meu radar detecta, ele é implacável. Bora tragar o cara pro buraco negro do surf.

Será que faço isso por generosidade ou egoísmo?

O generoso eu. Que se dispõe a passar mais tempo na água dando instruções e dicas do q surfando. Que se empolga pra cair em qq marola. Que sai correndo pra arranjar equipamento pro neófito, e às vezes paga do próprio bolso. Que vende com brilho nos olhos o sonho da vida de praia. Que quer compartilhar com o mundo as sensações indizíveis de estar no mar, de deslizar numa onda, de flutuar com o vento.

O egoísta eu. Que precisa enquadrar o outro num sonho egocêntrico. Pra me ver e estar comigo, vc tem q vir pra praia comigo. E pior, pra me conhecer, vc precisa sentir o q eu sinto. Explicar cansa e não funciona.

Não deixa de ser um tipo de intransigência. Inflexível personagem. Pouco afeto ao papel do aprendiz. Sempre circunscrito ao papel, já repetitivo, de ‘guia turístico’ do lifestyle do mar.

E exatamente porque é estilo de vida, e não esporte, que ele te demanda muito mais. Mais do que a vontadinha que dá como coceira e passa. Mais do que a conveniência de não surfar quando chove ou faz frio. Mais do que querer pagar de bonito na praia.

Ele requer um encontro mágico que eu não posso proporcionar, nem ensinar.

Surf não se ensina.

Se aprende apenas.

Assim como o amor, pra quê tentar dissecá-lo em lições, se todo esse processo já mata a mágica? Melhor deixá-lo assim, misterioso.

E que o mar encontre mais dos seus, sem a minha ajuda.

Aloha

COMO ESCAPAR RÁPIDO PRA PRAIA NO FDS – PARTE 2

3 ago

A segunda parte das lições que aprendemos tem a ver com outras variáveis: timing, balada, carro, compras, prancha. Se você seguiu as duas primeiras dicas, e decidiu viajar, seja safo e use um pouco do tempo da semana pra se preparar. Com poucos minutos de preparo, você dribla dores de cabeça e atrasos.

3. COMO DIZER NÃO PARA AS BALADAS DE FIM DE SEMANA
Quando receber um convite que vai embolar o FDS, pense bem ao dar aquela resposta: “vamos ver…” Tente responder os convites sem evasivas. Ou aceite ou não aceite. Mate o mal pela raiz. Não alimente a regra do “SE”.

4. O MAIOR ALIADO DO SEU FIM DE SEMANA É A QUINTA-FEIRA
Use a noite de quinta feira. Você só precisa de meia hora. Dá um pulo no posto pra abastecer o carro, separe umas roupas. Se precisar comprar comida, já resolve isso rápido. Descubra o prazer de chegar no trampo sexta de manhã já com tudo pronto pra partir pra praia.

O bom da quinta não é só a preparação. É poder descobrir com antecedência se você esqueceu algo.

5. FAÇA ESSE SURF-CHECKLIST
Veja a previsão e já marque a prancha que você vai levar. Tire 5 minutos pra fazer esse checklist de equipamento:
- neoprene/lycra
- quilhas
- chavinha de quilha
- leash
- parafina
- protetor solar
- fitas

Se for bate-volta, acrescente esses items:
- pense no lugar pra deixar a chave do carro
- leve a muda de roupa do trabalho
- 1 garrafa de água doce pra se lavar
- alguma coisa pra comer no carro na hora de voltar
- $ do pedágio da volta

Se você bobear no checklist, vai gastar o tempo da escapada fazendo uma escala.

O nosso amigo Mau resolveu isso de um jeito bacana: ele tem um tupperware gigante onde ficam todos os trecos de praia. Ele simplesmente leva aquilo de um lado pro outro. Nunca esquece nada.
(mais…)

Um relato do festivalma surf 2010

16 jul

Uma lenda, um ídolo e um show que a muito queria ver. Essas eram as tônicas que alimentavam minha ansiedade pré Festivalma 2010.

Greg Noll dispensa comentários. Fez a alegria de muitos aficionados pela história e cultura do surf com muitos e muitos autógrafos: ALOHA! Greg Noll. Essa que é hoje, longe das morras de waimea e sem o tradicional shorts listrado desamarrado, sua marca registrada.
Tive a sorte de ser um dos primeiros da fila de autógrafos no noite de sábado e consegui garantir um skatinho irado da marca do greg  (no valor dos EUA, tax free!) e ainda sua assinatura nele e em um livro de fotos de Leroy Grannis. Mission accomplished!

Autografando o skatinho travel well

greg assinando o livro

Ele ficou feliz de se ver na beira de pipe e dropando waimea

Rob Machado é um ídolo. Um cara que com um estilo inconfundível se mantém no mainstream do surf sem precisar competir para provar do que ele é capaz sobre uma (qualquer) prancha. Isso ele já fez quando ganhou o pipemasters de 2000, alguém duvida?
Sempre gostei do surf fluido do Rob e, desde Loose Change, épico filme de Taylor Steele, eu já identificava nele um dos estilos mais agradáveis de se ver. Sei que pra muitos é recíproco essa opinião.

Mas no festival Rob veio para mostrar seu lado musical. Não é mais um caso de surfista que se destaca musicalmente como Donavon ou Jack, mas ele se diverte sem a pretensão de ser estrela e isso basta. Talento mesmo ele deixou para seus amigos Jon Swift e Todd Hannigan, músicos de ofício que integram com outros músicos a Melali Band e embalaram o público na bienal com um surfmusic de qualidade com pitadas de folk, rock e seus derivados mais brandos. Muito gostoso de ouvir, seria melhor se estivessemos sentados na areia…

Rob and the Melali band

Ainda pouco conhecido no Brasil, mas já com vários adeptos por aqui, o grupo australiano John Butler Trio tem uma sonoridade de fácil aceitação entre o público jovem, mesclando rock e reggae com um delicioso violão de 12 cordas. O cara consegue tirar um som, um timbre daquele violão, que é digno de grandes músicos. Sério, o som das 12 cordas faz vc esquecer as vezes que é um violão e faz parecer uma guitarra com efeitos bem harmonizados. Muito bom mesmo.
Não lembro se conheci o John Butler Trio fuçando pela internet ou se um amigo me apresentou, mas o fato é que curto o som deles já tem uns 3 anos e sempre achei que o estilo tem tudo a ver com o Festival idealizado pela Alma Surf. Dito e feito, o show foi a grande atração do Festival de Música e lotou a Bienal. Meu destaque vai mesmo para a música instrumental “Ocean”, fueda!

Mas o festival trouxe gratas surpresas. Além de rever amigos, conheci um grande artista, Jay Adlers, que além de ter um trabalho inspirador é uma pessoa muito simpática. Vi de perto um verdadeiro objeto de desejo para o futuro (espero que não distante), as pranchas do Felipe Siebert. Um longboard de madeira que já namoro a algum tempo e pude atestar as fotos do site, são pranchas lindas mesmo. Belíssimo trabalho que conta também com skates estilosos para uma session no asfalto.

Jay interagindo com uma de suas belas obras

Rob Machado e Jon Swift

Greg's old classic design

Keiko e sua cesta de presentes

Fotos, obras de arte, filmes, livros, Skate e BMX e muitas pranchas preencheram a bienal em um evento que expõe muito bem a cultura surf.

abs
felipe

Eu amo crowd

10 mai

texto de Danillo Cardoso

Você deve estar achando que sou louco. Vou explicar. Você acha que o surf não é um esporte coletivo, mas é.

Sabe quando você diz que adora surfar uma praia deserta com seus amigos? Pois é, presta atenção no final da frase, “seus amigos”.

Nunca tinha parado pra pensar nisso mas depois desse último final de semana no mar pude sentir na pele o que é surfar sozinho. Literalmente sozinho. (mais…)

Vagas coincidências

13 abr

Terça-feira, 13 de abril. Apesar de um dos maiores swells de Sudeste de que se tem notícia ter passado pela costa bem no final de semana, só hj consegui uma brexa para descer a Serra e surfar o que restou de balanço. Foi bom por juntar os amigos e prestigiar a visita do Gui Wanna, que está amargando o flat e os tiburones da Flórida!

As coincidências que marcaram esse swell com o já lendário swell da páscoa de 2009 foram simétricas! Duas verdadeiras bombas históricas, acordando picos por todo o litoral de SP e RJ. As duas tiveram uma janela entre os dias 9 e 12 de abril, as duas bem na semana do meu casamento. Se ano passado estava no interior agilizando os últimos detalhes do casório, esse ano o trabalho e as comemorações de 1 ano conflitaram com a mega ondulação. Mas dessa vez não exitei em quebrar a fissura aos 45 do segundo tempo! Nesta manhã surfamos pequenas, porém boas valinhas no Tombo, com direito a nascer do sol, água quente, o oi da amiga tartaruga e pouco crowd! Pra quem estava a quase 1 mês sem surfar, valeu e muito!

A queda tb foi bem interessante pois tive a oportunidade de testar um pouco mais a 6’6 diamond tail single fin do Di. Um shape diferente, larga e bojuda, mas que andou bem nas valinhas e deu pra ter uma idéia de como uma single fin se comporta! Recomendo o teste!

O bate foi bom, reuniu os amigos e a single fin funcionou. Só espero que em 2011 o swell do ano não acerte o dia 11 de abril novamente!

Abs!
felipe

Aos 45 do segundo tempo

15 fev

Post rápido pra contar as novidades antes da segunda metade da barca rumo ao Peru partir.

As pranchas ficaram prontas sexta feira, na data limite. Nem vai dar muito tempo para “curar”, mas vai assim mesmo. Elas ficaram lindas, 3 pranchas ao todo,  7’0, 9’0 e 9’3”. Duas do zé e uma minha. Olhem o resultado do trabalho que começou em nov/2009…

É isso, amanhã estaremos no Luisfer Surf Camp, na frente de La Isla pra quem sabe estreiar alguma dessas tablas! ¡Arriba el Peru! Y saludos a todos para um carnaval muito feliz!
boa noite…

Felipe

Carnaval Gone Surfing

9 fev

No carnaval os autores desse blog estarão viajando. Pra buscar inspiração, ou pauta, ou experiência — ou nada além de surfe — duas barcas felizes estão nos últimos preparativos, e vão sair em direção ao Oceano Pacífico nesse feriado. Uma parte rumo ao litoral do Peru, em busca das longas ondas de Punta Hermosa, com cada integrante munido do seu respectivo longboard tinindo de novo, além de algumas guns retrô e fishes.

Outra barca vai fazer uma aventura rodoviária até o Chile pra enfrentar água gelada e ondas grandes. Uma simetria meridional que vai narrar duas histórias da mesma ondulação, que já está programada pra atingir com força as costas do Pacífico no feriado e trazer altas ondas!

Muita onda, história pra contar e alegria pra nois!
Que Deus e Netuno abençoem todos os nossos rumos.

Daddy D Longboard 9’33”

5 fev

Do bloco toma forma com tecnologia o shape bruto; tamanho, outline, rocker e flutuação em um lindo e branco bloco de isopor. Se não fosse desta maneira ia ser muito mais demorado. Achar a prancha em um bloco bruto além de tempo, precisa de experiência – coisas que não temos no momento. Pois então, está em trabalho de parto desde a semana passada o DDL 933 – ou simplesmente – meu presente de aniversário!!!
(o começo dessa história está aqui)

E não tinha como ser melhor; ganhar um presente onde além de pensar como ele vai ser, poder contribuir para que ele se torne real. Depois de dias de desencontros finalmente entramos na sala de shape da SurfWorks, marca do talentoso shaper, vizinho e amigo Daniel Aranha, logo ali, atravessando a rua de casa! Dia 27, última quarta-feira de janeiro, lá pelas 8 da noite começamos a discutir, Diego e eu, sobre como faríamos o caimento das bordas… Para deixar a experiência bem interessante para nós, o Daniel ficou do lado de fora só olhando e fotografando. Ajudava só quando era solicitado. O Di já tinha tinha feito a Malibu, uma 10’4’’ old school muito style pelo processo mais trabalhoso, a partir do bloco bruto, e por isso já sabia das etapas que deveriam ser cumpridas bem como o uso das ferramentas. Fizemos as marcações de meio e outros pontos de referência e dá-lhe pó branco no chão…

Diego e Daniel antes do trabalhos...

Pontos de referência

Quando você termina um lado e começa o outro sente e valoriza ainda mais o trabalho dos caras que fizeram todas as suas outras pranchas. Salvo a facilidade e agilidade que as máquinas modernas possibilitam, todo shaper passou por esse desafio de equilíbrio, harmonia e perfeccionismo. Contar as vezes que você desbasta o bloco ajuda, mas é no olho, na luz, contraste e nuances do relevo do bloco a sobre tudo na “pegada” que são minimizadas as diferenças. From the top to the bottom, a borda tem seu formato definido. Daí pro bico as linhas suavemente se alteram, sem começo nem fim, mas uma transição continua e novamente difícil de se igualar entre as metades. Daí vem o que considero como o diferencial, o ponto alto, o detalhe extraído das clássicas noseriders da principal fonte de inspiração para essa prancha: bing surfboards , o concave!

Nesse ponto não teve jeito, pedimos a ajuda do Daniel pra evitar erros. Alguns minutos discutindo tamanho e forma do concave e começamos a desgastar o bloco de tal maneira que dava até dó, tinha momentos em que parecia que o nariz ia quebrar ou que a mão ia atravessar o shape! Mas essa era a proposta, fazer um concave agressivo. Se vai funcionar ou não, verdadeiramente não sei dizer, mas só testando pra descobrir. Alguns erros e pesadas de mão depois decidimos que aquele era o suficiente, se não me falhe a memoria este concave tem quase uns 2 cm de profundidade…

Acertando o bico

deeeeeeeeep

cavando...

...e cavando.

achamos o concave

Depois era a vez da rabeta, cortar as pontas  para achar a Diamond, lixar as bordas e depois o fundo para dar o V que uma prancha deste tamanho precisa. Suave mas presente, o V bottom foi o último detalhe que faltava para deixar a prancha como eu queria. Daí foi alinhar pequenos detalhes identificados pelo Daniel e depois com a lixa fina dar o acabamento final no bloco. Pronto! A prancha ganha sua forma definitiva. Foi uma experiência “du caralho”,  que ganha um sabor ainda mais especial pois a primeira queda dela será em águas peruanas durante o carnaval!

finding the diamond...

job done

E não posso deixar de registrar aqui meu êxtase por conta da previsão que acabo de receber do LD Surf enquanto escrevo este post. Como o verão está desanimador nessa última semana em termos de ondulações para o litoral de São Paulo, eles resolveram adiantar o que espera os brasileiros que vão trocar os blocos de carnaval pelas linhas intermináveis do litoral peruano: nenhum swell com menos de 16 segundos de período, alguns chegando aos 20”.  Vai dar altas e a adrena já tá batendo!

Sempre quis assinar uma prancha...

Shape, layout, logo Daddy D, previsão muito positiva para a estréia… só mais uma semaninha e mostro o resultado final dessa 9’3’’ single fin diamond tail noserider! Muito obrigado Daniel e Diego, foi uma experiência memorável e tenho certeza que iremos sentar no outside para dividir ondas e pranchas!
Grande abraço,
Felipe

Há exatamente 5 anos

4 jan

Há 5 anos muitos dos autores desse blog ja pegavam onda juntos. Tava organizando os meus arquivos e achei essa foto engraçada. Decidi postá-la em nome da nostalgia. Um mico de vez em qdo até q faz bem.

Olha lá, tudo mundo com cara de criança, e alguns quilos a menos!

Que 2010 e os anos seguintes continuem nos dando boas ondas juntos! Saúde!

Novos Colaboradores!

4 jan

Novos Colaboradores - Adriano Wiermann e Marcelo Bréscia

Feliz 2010 a todos!

Inauguramos o 1º dia útil do ano comunicando a inclusão de dois grandes amigos e agora novos colaboradores do Bate-Volta.com.

Marcelo Bréscia, publicitário, 26 anos, decidiu fazer uma pós-graduação na Universidade de Berkeley na Califórnia, irá relatar o que está acontecendo pela região de San Francisco até a sua volta ao Brasil. Seu foco no surf é a fotografia, já colaborou em algumas matérias da revista almasurf e expôs seu trabalho no FestivAlma Surf 2008. Embarcou ontem para os EUA e provavelmente no final da semana poderemos ter notícias de lá.

Marcelo Bréscia, colaborador de Berkeley na Califórnia

Adriano Wiermann, 22, está no 4º ano de Oceanologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na Praia do Cassino. Além das curiosidades sobre a região do Rio Grande e das famosas direitas do Uruguai (que fica logo ali, há menos de 2h de carro da sua casa), vai abordar também assuntos teóricos sobre formação de ondas, ventos, tábua das marés, granometria e tudo aquilo que a maioria dos surfistas não entende de forma aprofundada! E queremos entender ainda mais obviamente.

Adriano Wiermann - teorias e informações sobre o oceano

Bem-vindos e aguardaremos o 1º post de vocês o quanto antes!

Um abraço e um ótimo novo ciclo à todos!

Felipe Baracchini

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