Bate-volta é assim, só dá pra saber se vai valer a pena amanhecendo no pico. E olha que pra mim, valer a pena, ainda é relativo. Tudo é possível, a previsão errar, positiva ou negativamente (as vezes é muito melhor que o esperado), a maré estar no pico errado, o vento atrapalhar tudo, enfim, como qualquer sessão de surfe as variáveis são muitas. Mas em um bate-volta, as chances de algo dar errado e o surfe estar comprometido é ainda maior por a janela ser pequena para a “quedinha”.
Terça-feira, 23 de setembro, praia do tombo, 1 metro com maiores. A previsão indicava swell de sul, vento sul fraco no início da manhã, algo em torno de 8 nós. Primeiro dia da Primavera, frio, e quando despertamos pouco antes das 6 o dia já era dia. Bom saber, no próximo bate já da pra cair na água umas 5:40!
O line-up era incerto… séries constantes, direitas que nem sempre abriam, mas algumas linhas persistiam até o inside. E o melhor, ninguém no outside, nem na praia. O fator negativo: a visível correnteza que fazia o inside parecer uma mutidão querendo entrar na pista de um grande show de rock no Morumbi. Uns diziam, vamos pra pitangueras, a maioria disse, não, vamos cair aqui mesmo.
Enquanto alongávamos, um local apareceu e entrou bem no canal (inexistente) no cantão direito. Entramos lá tb, e quase 10 minuto depois aparecemos no outside já no meio da praia. Por um momento achei que nem iria passar, mas deu. A correnteza realmente estava demais, nunca havia caido no tombo naquelas condições. As ondas nem estavam tão grandes e fortes, porém as séries constantes aliado a correnteza insana dificultou e muito as primeiras braçadas. Já lá fora o time teve a primeira baixa, um já desistira e voltara para areia. Como o surfe não está tão em dia e a remada anda fraca, não é motivo de vergonha perder para a arrebenta em um dia como aquele.
Lá fora a correnteza deu uma trégua e conseguimos ficar mais tranquilos. Ainda assim estava muito difícil se posicionar, séries inconstantes, a maioria fechando, e o pior, elas viam gordas e cheguei a me arrepender por nnao ter um fun naquela hora. Os primeiros minutos se foram com apenas uma tentativa sem sucesso de entrar na onda, mas a gorda não me deixou. A situação persistiu pelos próximos 30, 40, 50 minutos… Até que finalmente veio ela, uma direita bem formada da série, com uma parede que sugeriria uma bela corrida em direção ao inside. Nessa hora mais um de nós já tinha saído da água. Remo com força, levanto no time certo, desço meio reto com calma, já pensando, aproveite essa pq o mar hj não está bom. Ao chegar na base e começar o botton aquela broxada…. cadê a onda? e aquela parede? pra onde foi tudo aquilo? Nem o “mata barata” me salva. A onda engorda, eu afundo, a série explode na minha cabeça. É isso, lá se foi minha direita, minha sessão de surfe, meus anseios de fazer a cabeça no primeiro dia da primavera. Já no inside depois de frustrado só me restou mirar o bico pra areia e sair agradecendo. Agradecendo? Claro, pra mim só de ter a oportunidade de acordar na praia numa terça qualquer, perdão, qualquer não, no primeiro dia da primavera de 2008, cair na aguá, remar e dividir o outside com meus amigos e sempre companheiros de bate já é algo mágico, diferente, saudável, FANTÁSTICO! (essa foi pro morongo). Por mais que só dropei uma pra sair, já valeu a pena. Sempre vale. Agradeço sempre a oportunidade do santo bate, que me anima, revigora e motiva a seguir em frente a vida em São Paulo.
Abraço.
Felipe Barros