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O refúgio dos covardes

25 jul

Esse é um post sobre saber escolher. Acima de tudo, escolher estar na água. Mas também sobre a vida e as outras escolhas.

Meu primeiro longboard Neco Carbone foi um caso de amor instantâneo e irremediável.

Por 7 anos ela foi a prancha perfeita. Até que começou a mudar (ou será q fui eu?).

“Bem que ela poderia ser de epóxi. Mais leveza ia dar uma pegada mais progressiva… E bem que ela poderia ser um pouco mais rápida… E melhorar um pouquinho o concave da rabeta e bla bla bla”…

Levei a prancha a outro shaper bacana, o Daniel Aranha. Fizemos um scan minucioso na prancha. Nenhuma medida podia se perder. Aquela encarnação iria fatalmente sucumbir ao tempo, mas eu estava apegado. Cada assinatura do shape tinha que ser registrada pra não se perder.

Eu ia fazer o transplante da alma da prancha que eu amava, para um corpo novinho.

E foi aí que começaram os problemas. (mais…)

QUANDO NOS TORNAMOS BUROCRATAS?

18 jul

Se vc está aqui no #bate-volta é porque tem algum tipo de amor pelo mar.

Então saiba que esse post é pra lhe cutucar.

O mar tem um lugar muito bem definido pra maioria das pessoas. Ele povoa esse lugar, ora na enchente, ora na vazante.

Mas quase sempre ele não é grande o suficiente pra transbordar desse lugar. Ele fica lá. Compartimentalizado. Estocado. Pronto pra quando o seu patrão deixa você ir até lá pra dar um oi. Mas não por mais do que uma dupla de dias. Porque logo vem a segunda feira.

Esse post é pra lhe dizer que se você ama o mar, e o mar faz parte do seu final de semana, mas não da sua vida, você é um burocrata. Assim como eu.

Não me venha falar que o você pensar no mar, e que isso o torna parte da sua vida. Passar a vida no escritório enquanto você pensa no mar não vai lhe absolver.

O mar é apenas uma entre muitas paixões que são sistematicamente abandonadas por pessoas à beira de decidir o que vão fazer da vida. Às vezes aos 18 anos, às vezes no vestibular, e em todos os abandonos da vida.

Quando foi? Qual foi o evento fatídico em que você decidiu romper o cordão umbilical entre o que lhe fazia feliz e o que você iria fazer da vida?

Quando você escolheu compartimentalizar a sua paixão? Levantar barreiras bem definidas, de tempo, de lugar?

É fácil identificar se você é um desses que decidiu criar um compartimento estanque. Basta olhar pra dentro e reponder com sinceridade: você tem mais prazer fazendo o que faz, ou sendo recompensado pelo que faz?

A sua rotina trabalha pra lhe tornar uma pessoa mais interessante, ou você trabalha a sua rotina para ela não te tornar uma pessoa totalmente desinteressante?

E não me venha com a velha desculpa. Será que é só uma questão de grana? Ou é questão de coragem mesmo?

Endless Happiness

3 mai

por Danillo Cardoso

Adolescente rebelde, incontrolável, playboy internacional, esbanjador, abusivo, com fama de “Príncipe Decadente”, com uma vida de pompa e luxúria, despesas astronômicas de um estilo de vida milionário, que experimentava drogas de todo o tipo, caçava, fazia constantes incursões em jato particular a Jeffrey’s Bay e alimentava uma enorme atração pelo sexo feminino.

Se você se encaixa nesse perfil, me deculpe meu velho, mas perante a mídia e a sociedade de hoje, e acho que de sempre, você é um monstro egoísta e egocêntrico.

Viver 100 anos cuidando do corpo ou 20, 30 se auto-destruindo? Poupar e investir todo seu dinheiro ou viver para torra-lo? Ser um cara bonzinho, simpático e adorado por todos ou amado por poucos e odiado por muitos? Casar, ter filhos e criar uma familia ou viver solteiro livre no mundo? Passar a vida escondendo o que você gosta ou é, ou assumir e dar a cara pra bater?

É meu amigo a vida é como uma onda. Totalmente imprevisível. Não existe uma fórmula, um caminho. A vida é mutável e como a onda você tem que constantemente se adaptar a ela, senão toma uma vaca feia. Mas sem se esquecer do que é e do que quer, sempre.

Esse aí do primeiro parágrafo foi Bunker Spreckels. Herdeiro de uma das maiores fortunas dos EUA. Neto de Claus Spreckels, criador e dono da indústria havaiana do açúcar e dono de uma das maiores fortunas do U.S.A. e ainda, enteado de Clark Gable (“E o Vento Levou”).

Muitos podem criticar tudo isso que ele fez. Mas será que você é mais feliz do que ele foi? Será que você contribuiu com a história do surf ou de qualquer outra coisa, mais do que ele contribuiu?

Apesar de tudo, era dedicado e obsessivo, contribuiu para a história das pranchas ao ajudar a criar e desenvolver os rails caídos (down ou tucked-under), uma característica de shape que perdura até hoje. Também foi um dos pioneiros das shortboards, surfando modelos tão reduzidos como 4’8” em ondas muito acima dessa medida, e testando as mais variadas combinações de curvaturas de fundo e configurações de bordas. Foi um dos primeiros a dropar as temidas direitas de Backdoor numa altura em que surfar Pipeline ainda era considerado coisa para poucos.

Talvez pela imposição da sociedade e da mídia em criar um mundo perfeito e chato, o seu documentário não tenha sido lançado até hoje.

Tanto na vida como no surf, não existe certo e errado. Apenas escolhas. Você já fez a sua? Nunca é tarde para fazer uma nova escolha.

Quer saber mais sobre Bunker Spreckels (1949-1977)? Vai lá, entra nos links abaixo e repense sua vida.

http://www.bunker77.com/

http://www.guardian.co.uk/sport/2007/oct/28/features.sport9

http://aeiou.surfportugal.pt/multimedia.aspx?channelid=7074BCB7-2794-48BF-8193-10F75B5C2395&contentid=85E84EFD-28B8-4677-A372-B1665890BC8B

http://www.youtube.com/watch?v=Jp8Co0XCVII&feature=player_embedded#at=164

http://barstory.blogspot.com/2007/10/bunker-spreckels.html

SURF NÃO SE ENSINA

19 out

arte de @JayAlders

“E o surf? Faz tempo que vc não cai hein?” – essa é a primeira frase que alguns amigos meus ouvem quando me encontram. Puta cara sem assunto! Só sabe falar disso?

Tô cansado de ser o cara chato que tenta converter todo mundo pra minha “religião”. Namorada, família, e principalmente qualquer amigo q mostre um mínimo de interesse nessa vida mais perto do mar. E quando o meu radar detecta, ele é implacável. Bora tragar o cara pro buraco negro do surf.

Será que faço isso por generosidade ou egoísmo?

O generoso eu. Que se dispõe a passar mais tempo na água dando instruções e dicas do q surfando. Que se empolga pra cair em qq marola. Que sai correndo pra arranjar equipamento pro neófito, e às vezes paga do próprio bolso. Que vende com brilho nos olhos o sonho da vida de praia. Que quer compartilhar com o mundo as sensações indizíveis de estar no mar, de deslizar numa onda, de flutuar com o vento.

O egoísta eu. Que precisa enquadrar o outro num sonho egocêntrico. Pra me ver e estar comigo, vc tem q vir pra praia comigo. E pior, pra me conhecer, vc precisa sentir o q eu sinto. Explicar cansa e não funciona.

Não deixa de ser um tipo de intransigência. Inflexível personagem. Pouco afeto ao papel do aprendiz. Sempre circunscrito ao papel, já repetitivo, de ‘guia turístico’ do lifestyle do mar.

E exatamente porque é estilo de vida, e não esporte, que ele te demanda muito mais. Mais do que a vontadinha que dá como coceira e passa. Mais do que a conveniência de não surfar quando chove ou faz frio. Mais do que querer pagar de bonito na praia.

Ele requer um encontro mágico que eu não posso proporcionar, nem ensinar.

Surf não se ensina.

Se aprende apenas.

Assim como o amor, pra quê tentar dissecá-lo em lições, se todo esse processo já mata a mágica? Melhor deixá-lo assim, misterioso.

E que o mar encontre mais dos seus, sem a minha ajuda.

Aloha

O Melhor da Minha Vida

9 nov

get 2 

São 4:02 am. Acabei de voltar do melhor show da minha vida! Quando saí de casa para o Terra 2009 nunca poderia imaginar que tudo isso ia acontecer. Com certeza uma noite daquelas pra guardar, pra contar pros filhos e netos, tomando cuidado para não dar mal exemplo!!

Estávamos vendo o show do Sonic Youth já num lugar ótimo, na frente da torre de som. Quando o show acabou, o grupo em que eu estava se dividiu. Fui o único que fiquei para o Show do Iggy Pop, todos os outros foram ver os Things Things. Com o término do show consegui encurtar a distância para o palco pela metade numa boa, estava muito tranqüilo. Depois de uma meia hora de espera, começou e aconteceu. Acho que desde os meus 16 ou 17 anos que eu não passava por esse tipo de experiência, mas isso foi mais, muito mais!

O Iggy e os Stooges entraram no palco de repente. Foi quando um rio de pessoas se formou. Eu estava perfeitamente alinhado com o microfone (e se não estivesse, acho que nada disso tinha rolado).  Era a exata sensação de estar preso numa correnteza muito forte, onde nadar contra era impossível e impensável. Antes do final da primeira música, não sei como, desafiando todas as leis da física, eu já era a quinta pessoa antes da grade que separa a imprensa do palco. Ou seja, no máximo a uns 15 metros do palco, sem fazer o menor esforço. Tinha passado o Point Of No Return. Agora era curtir. (mais…)

É na fronteira que eu me defino

28 out Mauricio Domingues

Mauricio Domingues

Num desses jantares onde a gte acaba falando da vida, conversando com o Di batemos numa tradução certeira desse tempo que estamos vivendo. “A gente se define na fronteira”. A nossa co-existência em dois lugares, dois estados de espírito, dois universos pra onde ir e de onde escapar, é o que parece nos definir de forma mais característica. É um tipo de co-presença especial, sem matizes, sempre em transição, sem tirar a mão da chave “on/off”.

A cabeça e o corpo nunca parecem estar no mesmo lugar. Se estamos aqui, já estamos sonhando com lá. Quando chegamos lá, já descobrimos que precisaremos voltar pra cá. Ou pra contar a história, ou porque sacamos que não pertencemos ao mundo do lá, ou do aqui. Pertencemos à transição. Fugir é o ato de transformar a prisão de agora no refúgio pra onde retornaremos amanhã. É um processamento que fazemos por dentro.

Acho q na verdade essa transformação é a razão da fuga-retorno. Precisamos dela pra renovar o olhar sobre aquilo que deixamos do outro lado da fronteira. É mudando de lugar que gte muda o significado do ponto de partida e de destino. É a periódica lavagem das calçadas.

Trazendo as coisas mais pra esse planeta: acho que de tanto falarmos em “fazer” bate-volta, acabamos construindo um aprendizado, de que na verdade “somos” bate-volta. (mais…)

Bate-volta Verde

21 set

Fala galera,

bate-voltaNão sei se vocês leram a folha nesses dias, mas saiu uma reportagem muito legal sobre um grupo de ciclistas (pedal verde) que saem para andar de bike por São Paulo todo domingo de manhã e vão plantando árvores pela cidade. Eu achei a iniciativa fantástica, aliar o esporte com preocupação com a natureza. Parabéns!

De vez enquando eu dou uma de ciclista também e faço umas trilhas e tal. Mas sempre que penso em pedalar em São Paulo penso na mistura dos gases dos escapamentos de caminhões e ônibus com o ar do meu pulmão. E aí minha vontade diminui consideravelmente. Confeço que nunca fiz nada pra tentar mudar essa situação, diferente desses caras do pedal verde.

Bom, visto isso fiquei pensando em como nós surfistas poderiamos fazer alguma coisa para contribuir na melhora do meio ambiente também. Alias surfistas deveriam ser totalmente focados nisso, pois o surfe depende 100% da natureza e ainda não existem ondas artificiais perfeitas. Surfe não é igual a tennis que é só construir uma quadra e sair jogando. Se os surfistas não estiverem em sintonia com o meio-ambiente, acabou o esporte.

E ai, a grande pergunta:

Como os bate-voltas podem  se tornar bate-voltas verdes?

Abs

gui+salgado

As coisas mais importantes são as que ninguém ensina

28 abr

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A vida civilizada deixa pouco espaço livre para a criatividade. Estamos sempre pisando nas pegadas abertas por alguém. Não há nada que já não tenha sido previamente classificado: se vc viaja pra longe, vai dormir no quarto que alguém construiu pra ser dormido por muita gente, e repete a história de cada cretino que já dormiu ali. As estradas já estão abertas há tempos. Os picos de surf, então… E aquela música que vc ama, também foi composta pra ser um produto feito sabão em pó. Uma multidão já ouviu tb. A toda hora é aquela sensação de deja vu. Descobrir que o Tyler Durden já passou por aqui.

Somos gado andando entre as opções de baias do frigorífico. Vamos de uma à outra. Graminha aqui, ração ali. Aí enjoa, e vamos à próxima. Cuidado pra não entrar na fila do abate. (mais…)

Em tempo, surfe.

29 out

Poderia discorrer muito sobre o tema e algumas histórias pessoais para contar, mas acho que nem tem muito o que escrever, só admirar, agradecer e aprender. Reflita. Surf é vida.

Veja esta matéria realizada pelo programa Mais Você, da rede Globo, neste link.

abraço e boas ondas!

Felipe

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